Em busca de aperfeiçoamento e novas experiências, estudante de Direito e Japonês consegue vaga na Universidade de Meiji

Por Paula Cabral Gomes

O contato de Ricardo Navarro, 22 anos, estudante universitário de Direito, com a cultura japonesa começou dentro da própria família, pois é descendente de japoneses. No entanto, o interesse em estudar a cultura nipônica tornou-se mais forte por volta dos 13, 14 anos de idade. Como grande parte dos estudantes de japonês e apaixonados pela cultura, animes e mangás são responsáveis por chamar a atenção de Ricardo, que começou a aprender japonês sozinho.

Em 2014, o estudante resolveu encarar o hiragana e o katakana, mas, quando teve que enfrentar a gramática, decidiu que seria melhor estudar em uma escola de japonês. Escolheu a Aliança Cultural Brasil-Japão e, em 2015, começou o curso Marugoto.

Ricardo elegeu o curso de Direito na Universidade de São Paulo e, como ela oferece intercâmbio com universidades de diferentes países, ele quis cursar direito no Japão também com a finalidade de aprender mais sobre o Direito e a Informação voltada à área cibernética, área ainda bem fraca no Brasil.

Com sentimentos misturados, de ansiedade, empolgação e apreensão, Ricardo continua se preparando, inclusive mentalmente, para passar um semestre longe da família e dos amigos, mas em ritmo forte de aprendizado e de experimentação no país que admira.

O estudante acredita que temos muito que aprender com o espírito coletivo de colaboração dos japoneses e com a seriedade com que encaram o trabalho e a educação. Além disso, também vê com admiração o respeito dos japoneses pelo meio ambiente e a consciência da importância da reciclagem, elementos que ainda faltam no Brasil.

Para saber mais detalhes sobre o processo de estudos e de preparação para a viagem ao Japão de Ricardo Navarro, confira a entrevista abaixo:

Ricardo Navarro (o segundo da esquerda para a direita) com sua turma e a Mari-sensei na ACBJ

Ricardo Navarro (o segundo da esquerda para a direita) com sua turma e a Mari-sensei na ACBJ

Quando começou a estudar japonês?

Comecei a estudar japonês em 2014. Antes disso, eu já tinha contato com a língua através de animes, então sabia um pouco de speaking e listening. No entanto, apenas em 2014, eu decidi aprender a ler e escrever, foi quando aprendi katakana e hiragana. Já em 2015, resolvi começar a estudar na Aliança, pois estava tendo dificuldades em aprender a gramática.

Quando, como e por que começou seu interesse pela cultura japonesa?

A parte materna de minha família é japonesa, então fui criado com certo contato com a cultura japonesa, como comer mochi e peixe no Ano Novo, ganhar otoshidama ou assistir NHK com meus avós. Mas penso que minha família sempre foi mais abrasileirada do que japonesa, então não tinha um interesse particular pela cultura.

Creio que o meu interesse começou a florescer apenas quando eu tinha uns 13, 14 anos, através da influência de jogos, mangás e animes principalmente. Acredito que eles são meios muito bons e interessantes de conhecer e se engajar na cultura japonesa, tanto por serem de fácil entendimento para iniciantes devido a suas características ocidentalizadas, como por misturarem aspectos clássicos e atuais da cultura, para os espectadores mais atentos.

Como foi todo o seu preparo e o processo até ser aprovado na Universidade de Meiji?

Atualmente estudo Direito na Universidade de São Paulo. Assim, existem programas de intercâmbio com unidades estrangeiras e, para podermos participar deles, devemos nos inscrever e cumprir com certos requisitos. Dentre eles, acredito que o mais difícil foi obter o certificado N4 de proficiência na língua, pois, quando o prestei em dezembro do ano passado, havia acabado de completar o curso básico na Aliança, então tive que complementar os meus estudos por conta própria, claro sempre contando com o suporte de meus colegas de classe e sensei (na época era o Makoto-sensei).

Após ser aceito em minha faculdade, o meu pedido foi enviado para ser aceito também na faculdade japonesa (Universidade de Meiji), ocasião na qual contei com o suporte da Mari-sensei e da Alice-sensei para enviar uma carta de recomendação à faculdade. Depois de passar um mês angustiado esperando para saber se seria aprovado ou não, finalmente chegou um e-mail com a carta de aceitação.

Basicamente, o objetivo do meu intercâmbio é o de aprofundar meus estudos do Direito em uma área ainda pouco desenvolvida no Brasil, que é a de Direito e Informação voltada à área cibernética. Isso, pois, no Brasil, apesar do surgimento recente do marco civil da internet, que serviu para delimitar direitos e deveres pessoais básicos na internet, ainda não temos uma legislação específica aos assuntos da internet. Assim, por meio da oportunidade de estudar no Japão, gostaria de ter acesso a uma área que eu não vou poder estudar na minha graduação aqui no Brasil e a qual os países mais desenvolvidos já teriam maior experiência jurídica, tais quais os assuntos de proteção de propriedade intelectual.

Ainda, também gostaria de aproveitar para estudar algumas noções básicas do Direito em conjunto com a cultura japonesa, para entender qual a abordagem que eles tomaram para a resolução de conflitos em seu país. Acredito que, dessa maneira, poderei expandir os meus horizontes de conhecimento. Assim, no futuro, na minha vida profissional, quando eu me deparar com algum caso complexo em que os métodos comuns de resolução não possam ser aplicados, eu possa ter a capacidade de pensar em uma solução efetiva para o problema.

Como estão os preparativos para a sua viagem ao Japão?

No momento estão correndo conforme o esperado. Por enquanto, estou esperando o semestre da faculdade acabar para que a minha situação no semestre que vem seja regularizada como cursando matérias em faculdade estrangeira. Também estou estudando os termos japoneses específicos das matérias que vou cursar, para ter maior facilidade de compreensão das aulas ministradas em japonês.

Fora isso, acho que o mais importante é a preparação mental. Pois, apesar de emocionado pela oportunidade, também estou nervoso, já que vou passar um semestre inteiro no exterior, longe de minha família, amigos e vida comum. Ainda por cima no outono e inverno japoneses, portanto estarei morrendo de frio lá. Haha. Mas também estou empolgado de poder morar tanto tempo no Japão. Com certeza, será uma experiência única. Acho que será muito divertido!

Qual a importância do aprendizado e do compartilhamento da cultura japonesa no Brasil?

Não apenas a cultura japonesa, acredito que devemos ter uma posição aberta para incorporar de maneira positiva as mais variadas culturas possíveis. No caso do Japão, penso que teríamos muito a aprender do espírito coletivo de colaboração dos japoneses, bem como de sua seriedade tanto no trabalho como na educação. Além disso, também acho muito interessante o respeito que eles demonstram para com o ambiente e a reciclagem, para a preservação dos recursos escassos que eles possuem.

Fora isso, penso que o Brasil foi formado pela miscigenação de variados povos e que é importante preservarmos os variados costumes. Isso deixa o país mais colorido e nos ajuda a ter uma mente mais aberta tanto para mudanças quanto em nossas relações uns com os outros.

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